
Economia
Reação recorde na primeira sessão após a eleição reflete a reversão de apostas dos investidores e dúvidas sobre a política fiscal; no dia seguinte, os mercados recuperaram parte das perdas.
O mercado financeiro brasileiro reagiu com forte turbulência à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Na segunda-feira (26), o dólar comercial subiu 8,21%, fechando a R$ 5,403, enquanto o Ibovespa caiu 13,88%, aos 176.608,23 pontos. A queda levou a B3 a acionar o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações em momentos de perdas acentuadas. Foi a maior alta diária do dólar desde 1999 e a maior queda da Bolsa desde março de 2020, segundo a Agência Brasil.
A reação foi intensificada pelo posicionamento do mercado antes do segundo turno. Parte dos investidores apostava na vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL), que havia ficado à frente no primeiro turno. Com a vitória de Lula, operações montadas com base nesse cenário foram desfeitas rapidamente.
O dólar chegou a R$ 5,60 durante a manhã, antes de recuar. O Ibovespa atingiu mínima de 169.516,43 pontos, queda superior a 17%, e movimentou R$ 88,6 bilhões no pregão, muito acima da média diária de cerca de R$ 25 bilhões.
Além da surpresa eleitoral, investidores buscam sinais sobre a condução das contas públicas, o controle da dívida e a equipe econômica do novo mandato. A preocupação é que a trajetória fiscal afete juros, custo de financiamento e confiança de empresas e investidores.
O economista Pedro Paulo Silveira disse ao UOL que a turbulência refletiu sobretudo uma correção de preços após semanas de apostas em outro resultado. Para ele, sinais de estabilização da dívida em relação ao PIB e a escolha de uma equipe econômica experiente poderiam mudar rapidamente o humor do mercado.
Na terça-feira (27), o real se valorizou perto de 2%, aproximando o dólar de R$ 5,31, enquanto a Bolsa avançou cerca de 1% no início do pregão. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou a queda anterior como resultado do posicionamento dos investidores, e não como deterioração dos fundamentos econômicos. Analistas do JPMorgan disseram que o mercado ainda aguarda maior clareza sobre a política econômica do novo governo.
A recuperação parcial, porém, não encerra a incerteza. A trajetória dos ativos dependerá das próximas sinalizações fiscais, das decisões sobre a equipe econômica e da capacidade do governo de conciliar gastos sociais, investimento e controle da dívida.
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