
Saúde
Surto causado pelo vírus Bundibugyo já infectou mais de 10 mil pessoas; conflito armado, falta de recursos e dificuldades no atendimento prejudicam o controle da doença.
O surto de ebola na República Democrática do Congo ultrapassou a marca de 5 mil mortes, segundo dados do Ministério da Saúde do país divulgados neste sábado (31). São 5.026 vítimas fatais entre 10.351 pessoas infectadas, uma taxa de letalidade próxima de 50%.
A epidemia é provocada pelo vírus Bundibugyo e foi declarada em meados de maio. De acordo com a Associated Press (AP), é o segundo surto mais letal da história da doença, atrás apenas da epidemia que atingiu países da África Ocidental entre 2014 e 2016, quando cerca de 11 mil pessoas morreram.
A transmissão já alcançou 67 zonas de saúde em oito províncias congolesas. Os focos mais intensos estão nas regiões de Ituri e Kivu do Norte, no leste do país.
O risco também ultrapassou as fronteiras. Quênia confirmou oito casos e duas mortes, enquanto a Nigéria registrou um caso. Uganda também teve registros durante o atual surto. A expansão torna a resposta sanitária mais complexa e exige vigilância coordenada entre os países.
O combate à doença enfrenta obstáculos que vão além da capacidade médica. Grupos armados atuam em áreas afetadas, restringindo o deslocamento de profissionais e equipes de vigilância. Ataques contra unidades e trabalhadores de saúde também foram registrados.
Outro problema é a dificuldade de acesso ao tratamento. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mortes ocorridas fora de centros médicos indicam atrasos na identificação dos casos e na procura por atendimento. A AP relata que cerca de um terço das mortes aconteceu antes que as vítimas recebessem assistência.
A situação é agravada por paralisações de profissionais que cobram salários atrasados. Em uma unidade de tratamento em Tchomia, trabalhadores interromperam as atividades reivindicando quatro meses de pagamento.
O vírus Bundibugyo pertence à família dos agentes causadores do ebola, mas exige atenção específica. Até o momento, não há vacina ou tratamento específico aprovado para essa variante. Os pacientes recebem cuidados voltados ao controle dos sintomas e das complicações.
A AP informou que 2.788 pessoas haviam se recuperado até a atualização divulgada neste sábado.
O avanço da epidemia mostra que a resposta depende não apenas de recursos médicos, mas também de segurança, confiança das comunidades, diagnóstico rápido e acesso contínuo aos serviços de saúde.
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