
Internacional
Negociações sem avanços claros e ameaças de nova escalada mantêm o Brent acima de US$ 110; moradores enfrentam impactos na educação, nas viagens e na rotina.
A cotação do petróleo passou a refletir a incerteza que domina o Golfo Pérsico. Em análise publicada em 28 de outubro, a Reuters descreve um cenário em que notícias de negociações entre o Irã e países vizinhos aliviam temporariamente os preços, enquanto ameaças militares e relatos de ataques voltam a pressioná-los.
O barril do Brent chegou a US$ 116,72 na semana passada, após notícias sobre retirada de diplomatas dos Estados Unidos da Arábia Saudita e a evacuação da sede da Saudi Aramco em Dhahran. Com a retomada de contatos diplomáticos, os preços recuaram, mas voltaram a subir após os houthis afirmarem ter atingido uma refinaria saudita — informação que Riad não havia confirmado naquele momento. Reuters
O Catar entregou a Teerã uma proposta de acordo, rejeitada por um representante iraniano como inaceitável. Em paralelo, autoridades da Arábia Saudita, da Turquia e do Paquistão se reuniram com lideranças iranianas e concordaram em manter o diálogo, sem detalhar publicamente uma agenda de avanços.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a mencionar a possibilidade de novos ataques ao Irã. Autoridades iranianas, por sua vez, ameaçaram retaliar, incluindo possíveis ações contra cabos submarinos no Golfo. As declarações ampliam a percepção de risco para a infraestrutura regional e para os mercados de energia.
A diferença entre operadores financeiros e moradores é que investidores podem ajustar posições diante de novas informações. Famílias precisam decidir se viajam, mantêm os filhos na escola ou deixam suas casas — escolhas mais difíceis de reverter.
Em Riad, escolas passaram a funcionar remotamente em meio aos ataques. Dados da empresa de análise de aviação Cirium citados pela Reuters indicaram que 86% dos voos programados no aeroporto da capital foram cancelados entre 8 e 25 de outubro. Outros aeroportos sauditas também registraram interrupções significativas.
A análise cita avaliações de mercado segundo as quais o prêmio de risco do petróleo poderia diminuir se não houver novos ataques dos Estados Unidos ao Irã após as eleições legislativas norte-americanas de 3 de novembro. A UBS elevou sua projeção para o Brent no fim de 2026 para cerca de US$ 110 por barril.
As projeções, porém, não garantem uma queda: o rumo dos preços dependerá da evolução militar, das negociações e dos riscos ao transporte de energia. Para os moradores do Golfo, a espera por sinais de estabilidade continua sem prazo definido.
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