
Tecnologia e finanças
Investigação aponta possível participação de grupo ligado à Coreia do Norte; corretora suspendeu temporariamente saques e prometeu cobrir eventuais perdas dos clientes.
A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo em volume de negociações, sofreu um ataque cibernético com impacto estimado em US$ 6,3 bilhões, cerca de R$ 33 bilhões. O episódio, divulgado nesta quinta-feira (29), foi classificado por analistas como o maior roubo já registrado no setor.
Segundo a empresa, aproximadamente US$ 3 bilhões em ativos foram localizados e congelados com a ajuda de parceiros do mercado. A situação dos cerca de US$ 3,3 bilhões restantes ainda não estava esclarecida até a publicação das informações pela Reuters, nesta sexta-feira (30).
A Binance suspendeu temporariamente depósitos e saques durante as verificações de segurança. A companhia afirmou que os fundos dos usuários estão seguros e que usará recursos próprios para cobrir as perdas. A expectativa divulgada era de retomada dos saques em até 48 horas.
Empresas de análise de blockchain, entre elas TRM Labs e Chainalysis, identificaram movimentações suspeitas em carteiras utilizadas pela Binance. A maior parte das transferências teria ocorrido em aproximadamente 20 minutos, envolvendo ativos distribuídos por dez redes de blockchain.
A investigação inicial da corretora apontou que um computador portátil comprometido, pertencente a um engenheiro, pode ter permitido o acesso indevido a um sistema interno. Posteriormente, a empresa informou ter identificado outros possíveis pontos de violação. Até o momento, a Binance disse não ter encontrado evidências de vazamento das chaves privadas das carteiras.
A TRM Labs atribuiu o ataque ao grupo TraderTraitor, associado à Coreia do Norte. A Chainalysis também demonstrou alto grau de confiança nessa hipótese, com base em semelhanças com operações anteriores.
A atribuição, porém, é uma avaliação de empresas especializadas em rastreamento de criptomoedas, não uma conclusão judicial. A Coreia do Norte nega habitualmente acusações de envolvimento em crimes cibernéticos.
Emissores de stablecoins e outras empresas ajudaram a bloquear parte dos valores. A Tether informou ter congelado quase US$ 1,6 bilhão, enquanto a Circle bloqueou mais de US$ 800 milhões. A World Liberty Financial e a Ripple também relataram medidas de contenção.
A notícia pressionou o mercado: bitcoin e ether registraram quedas durante as negociações, enquanto o token BNB, ligado à Binance, também oscilou.
O caso reacende o debate sobre a segurança de grandes corretoras centralizadas, que concentram volumes expressivos de ativos digitais. A dimensão final do prejuízo dependerá da recuperação dos valores e da conclusão das investigações.
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