
Internacional
Encontros em Teerã e Doha buscam reduzir tensões no Golfo; Washington afirma que prefere uma solução diplomática, mas mantém a opção militar.
Representantes do Irã se reuniram com mediadores do Catar em Doha no sábado (31), em uma tentativa de encontrar caminhos para encerrar a guerra no Golfo e evitar uma nova rodada de confrontos com os Estados Unidos. As conversas ocorreram após mais de 12 horas de reuniões entre enviados iranianos e catarianos em Teerã, na sexta-feira (30), segundo uma fonte ouvida pela Reuters.
A movimentação diplomática acontece diante da expectativa de governos da região de que o presidente norte-americano Donald Trump possa retomar ataques contra o Irã depois das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, realizadas nesta semana. Até sábado, porém, Trump não havia anunciado uma decisão de voltar a usar força militar.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o presidente prefere resolver o conflito por meio da diplomacia, mas ressaltou que Washington mantém capacidade para agir militarmente caso considere necessário. Segundo Rubio, contatos diretos e indiretos com Teerã continuam em andamento.
O Catar apresentou ao Irã uma proposta de sete dias de medidas graduais de construção de confiança, que preparariam o terreno para negociações mais amplas. Um funcionário iraniano disse à Reuters que Teerã considerou a iniciativa insuficiente.
O governo iraniano mantém uma proposta própria, apresentada desde setembro e rejeitada por Trump. O plano prevê o fim do bloqueio norte-americano aos portos iranianos, o desbloqueio de ativos do país e a aprovação de uma rota apoiada por Teerã no Estreito de Ormuz. Depois dessas medidas, a passagem marítima seria reaberta.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, afirmou que o país está analisando uma carta enviada pelo vice-presidente dos EUA, JD Vance, a um alto funcionário de segurança iraniano. Trump minimizou o alcance da correspondência e disse que autorizou o contato para discutir a entrada de suprimentos médicos no Irã.
Em comunicado divulgado no sábado, o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, ordenou que as Forças Armadas estejam preparadas para responder a qualquer ataque. O comando militar informou posteriormente que adotava medidas para ampliar o nível de prontidão.
O chefe de segurança Mohsen Rezaei também declarou que o Irã discute a possibilidade de abandonar sua antiga proibição ao desenvolvimento de armas nucleares caso os combates sejam retomados. Ele ressaltou, contudo, que nenhuma decisão havia sido tomada.
Teerã já advertiu que poderá atingir interesses dos Estados Unidos e de Israel em países vizinhos se sofrer novos ataques. A combinação de ameaças, divergências sobre as propostas de negociação e contatos diplomáticos mantém incerto o futuro do conflito no Golfo.
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